PGR se reunirá com executivos da J&F para discutir 'repactuação' de acordos de delação

Coordenadora da Lava Jato pediu para suspender processo por 60 dias a fim de ouvir Joesley e outros delatores.

STF marcou para 17 de junho julgamento da validade das colaborações.

A coordenadora da Operação Lava Jato na Procuradoria Geral da República, subprocuradora Lindôra Maria Araújo, informou nesta sexta-feira (21) ao Supremo Tribunal Federal que, a pedido da defesa, vai se reunir com delatores do grupo J&F, entre eles os empresários Joesley e Wesley Batista, para discutir a possibilidade de "repactuação" dos acordos de colaboração premiada.

No fim do ano passado, o procurador-geral Augusto Aras reiterou pedido dos antecessores Raquel Dodge e Rodrigo Janot para anular os acordos.

Segundo Aras, os ex-executivos agiram "com extrema deslealdade" com o Ministério Público.

Durante os depoimentos, eles teriam deixado de informar sobre suposta orientação que teriam recebido do ex-procurador Marcelo Miller quando este ainda integrava o Ministério Público.

O julgamento pelo plenário do Supremo dos pedidos de revogação dos acordos de delação está marcado para o próximo dia 17 de junho. Mas, diante da possibilidade de repactuação, a subprocuradora pediu a suspensão do processo da delação por 60 dias.

A decisão sobre a suspensão será do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo e responsável pela validação dos acordos em 2017. "O Ministério Público Federal, por meio da Subprocuradora-Geral da República signatária, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, vem informar que, em atendimento ao pedido apresentado pela defesa em 4 de fevereiro do corrente ano, a PGR realizará reuniões com a defesa dos requeridos com vistas a analisar a possibilidade de repactuação dos respectivos acordos de colaboração premiada.

Diante disso, requer o sobrestamento do feito, pelo prazo de 60 dias", diz o documento apresentado. Em setembro de 2017, em razão da omissão em relação a Marcelo Miller, a Procuradoria – na gestão de Rodrigo Janot – pediu a revogação dos acordos, por suposta omissão de informações, de quatro executivos: Joesley Batista, Wesley Batista, Francisco de Assis e Ricardo Saud.

Depois de assumir a PGR, Raquel Dodge reiterou o pedido para anulação dos acordos.

No fim do ano passado, Augusto Aras fez o mesmo. "Não há como imaginar atitude mais desleal ao MPF, patentemente violadora dos princípios da boa-fé e da lealdade, do que a praticada pelos ex-colaboradores Joesley Batista, Ricardo Saud, Wesley Batista e Francisco de Assis, especialmente tendo-se em conta a amplitude da sanção premial que lhes fora assegurada em seus acordos de colaboração, a saber, a imunidade penal", afirmou Aras ao STF.

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Categoria:Política