Fenômeno biológico e poluição causam mau cheiro no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre

Algas se acumulam em trecho e aumentam mortandade de peixes.

Biólogo acredita que ecobarreira potencializou o problema que sempre existiu nesta época do ano.

Ecobarreira reteve algas e causou mau cheiro em Porto Alegre Nathalia King A quinta-feira (5) terminou mau-cheirosa para quem transitou ao redor do Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, no fim da tarde.

Uma crosta de algas se acumulou em um trecho de cerca de 100 metros causando um forte odor. Embora seja comum nesta época do ano haver excesso de algas, o fenômeno foi potencializado pela retenção do material na parte inicial da Avenida Ipiranga.

O biológo Nelson Ferreira Fontoura, diretor do Instituto de Meio Ambiente da PUCRS, explica que a falta de chuvas nos últimos dias ajudou a piorar a situação. "O nível do Dilúvio baixou e começou a se desenvolver, no fundo do arroio, junto ao sedimento, um tapete de algas.

Essas algas se desprenderam e foram descendo em pequenos pacotes.

Mas, em função da ecobarreira, ficaram acumuladas.

Com o sol e calor, as algas vão morrendo e liberando um cheiro ruim." A ecobarreira é uma iniciativa que busca recolher todo o lixo flutuante do córrego e impedir que ele chegue ao Lago Guaíba.

Porém, neste caso, ele impediu que as algas se diluíssem em um espaço maior. "O fenômeno deve se repetir ao longo do verão.

É recomendável que a ecobarreira seja aberta toda vez que isso ocorra, para permitir que as algas cheguem ao Guaíba.

Mas só melhora se tiver uma chuva mais intensa, aí ocorre uma diluição e o cheiro melhora", diz o professor Fontoura. Muitos moradores comentaram o transtorno ao longo do dia.

A principal preocupação era com a morte de peixe e outros animais, que já foram registradas há cerca de duas semanas.

Tartarugas e aves evitaram o local, apesar de algumas ficarem presas em meio ao acúmulo de algas. O professor Fontoura afirma que, embora o cheiro seja causado pela decomposição dessas matérias orgânicas, a mistura do córrego com o esgoto facilita que esse fenômeno ocorra: "O esgoto cloacal fornece os nutrientes que vão fazer com que as algas se desenvolvam.

São alimentos também para as bactérias, que estão consumindo o oxigênio, e isso acaba redundando na mortalidade de peixes." Ecobarreira reteve algas e causou mau cheiro em Porto Alegre Nathalia King
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