CNJ afasta desembargador do Rio de Janeiro por entender que ele ofendeu Gilmar Mendes

Glaucenir Oliveira afirmou que ministro fez 'sujeirada' e 'absurdo' ao mandar soltar Anthony Garotinho.

Defesa pediu arquivamento e informou que indenização de R$ 27 mil já foi paga.

Conselheiros do CNJ discutem processo relacionado a desembargador do Rio de Janeiro Larissa Passos/G1 O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu nesta terça-feira (3) afastar o desembargador Glaucenir Silva de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por entender que o magistrado ofendeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em um áudio, enviado a um grupo em um aplicativo de mensagens, Glaucenir Oliveira afirmou que Gilmar havia feito "sujeirada" e "absurdo" ao determinar a soltura do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, em 2017. "Vai entender a sujeirada que o Gilmar Mendes está fazendo.

Isso é um absurdo, entendeu? Gilmar mesmo não tem vergonha na cara, infelizmente.

Não adianta fazer uma campanha contra ele que vai sorrir, porque ele sorri, ele é sarcástico, mas é desanimador, sabe? É desanimador, é uma desilusão que a gente trabalhe assim.

A gente, na verdade, é um soldado na linha de frente, leva pedrada, leva tiro, enquanto o grande general desse Poder Judiciário tira agora, que parece ser o dono do poder, um mero trabalho sério que a gente faz, com sarcasmo, com falta de vergonha", afirmou Glaucenir na gravação. Quando o áudio se tornou conhecido, o desembargador pediu desculpas e disse ter repassado "comentários de terceiros" sobre fatos que ele afirmou à época desconhecer.

Acrescentou, ainda, que os comentários não condiziam "com a verdade". Inicialmente, a relatora do caso, Ivana Farina, sugeriu ao CNJ a remoção do desembargador do tribunal onde ele atua.

O presidente do conselho, Dias Toffoli, contudo, propôs o afastamento de Glaucenir Oliveira.

O voto de Toffoli foi acompanhado pela maioria dos conselheiros. Durante a sessão, o advogado do desembargador, Alexandre Pontieri, pediu o arquivamento do caso e disse que o magistrado já pagou R$ 27 mil a Gilmar Mendes a título de indenização. "Não há contemporaneidade do fato.

Esse fato é de 2017, estamos em 2019, não há interesse público para justificar a remoção do magistrado", declarou Pontieri. 'Narrativa mentirosa' Ao votar, Dias Toffoli, também presidente do STF, disse que foi criada uma "narrativa mentirosa" contra Gilmar Mendes. "Criou-se uma narrativa mentirosa, já reconhecida pelo imputado, mas que ele queria, sim, dolosamente, que ela virasse uma narrativa verdadeira e, isso não atinge só a pessoa do ministro que foi atacado.

Ele atingiu toda a instituição, afirmou Toffoli. "Mentiroso, inverdadeiro para atingir só o acusado, não, para atingir o Poder Judiciário como um todo, para atingir o Supremo Tribunal Federal.

É disso que se trata", acrescentou.

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